terça-feira, 21 de abril de 2009

QUEM É ÒSÁNYIN ?



Òsányìn, Ossanha ou Òsãni, divindade das folhas e da cura das doenças. Oriunda da cidade de Offá (Arco), reduto de seus últimos vestígios. Associada pelos que cultuam o gêge à Òrúnmìlà, consegue a partir de então se masculinizar, recebendo o nome de Baba’Ewe, isso na África de dois a três séculos atrás, e tendo o seu culto ritualístico já extinto em sua terra de origem, segundo alguns etnólogos, antropólogos, sociólogos e historiadores africanos. Dizem que a extinção de sua cultura deveu-se pela escassez ou até mesmo a extinção da selva. Já outras etnias aqui escravizadas, alardeavam que seu povo, os dominadores da cultura Òsãni, sucumbiram tanto pela escassez da floresta, como pelas guerras políticas e culturais inter-regionais e tribais.
Com tudo isso na África do século XIX, já se sabia pouco sobre a sua existência, o seu culto e a sua cultura, e aqui no Brasil, idem. Os poucos escravos que trouxeram e que aqui nos legaram um pouco de conhecimento não eram Babalòsányìn, e sim Olósányìn, adeptos iniciados, seguidores secundários do culto a esta divindade. E mais, estes mesmos Olósányìn e seus iniciados aqui eram perseguidos e ironizados. Criticados abertamente por outras etnias as quais o chamavam de “vira-folha” ou de “filhos da patioba”, entre outros adjetivos comparativos a bissexualidade. Para os curandeiros do culto a Òsányìn, a patioba não é uma cobra, e sim uma folha de grande mistério que tanto mata como cura; a patíioba contém um alto teor de acidez e veneno. Nos rituais de feitura ou outras obrigações para esta divindade se não tiver a patíioba, awede, o alibu, a baba-de-boi entre outras tantas ervas consagradas a este orixá, mesmo que de menor valor em sua cama ou no chão para suas oferendas, com toda certeza, ali não estará o orixá Òsányìn. Pode ali até ter algo que possa ser identificado como um instinto possessivo, porém jamais este orixá. Por ser um orixá assexuado ele toma para si a sexualidade de seu filho, ou seja, se for em homem ele é masculino e em mulher é feminino. Assim sendo, os babalórisás, as yalórişás e os Olósányìn se assim não pensarem e agirem com certeza não estarão fazendo culto a Òsányìn, mas sim a uma farsa.
Observação: há um verbete que era cantado em quarto de segredo, nos anos cinqüenta do século XX para Òsányìn, cântico de juramento, que depois se tornou um cântico um tanto vulgar, cantado erradamente para Ode, no Rio de Janeiro, São Paulo, e quem sabe até na Bahia.

Òde, subs. = rua, lado de fora, relento.
Pami, v.t. = não ter sentimento, ter o coração fechado.
Sã’bura, adv. e v.i. = instantaneamente jurou, fez a jura.
Awoyo, subs. = a ninfa, que qualifica tantoYemaja, como Òsányìn..
Awede, subs. = planta, erva pertencente à Òsányìn, para consagração de orixás.

Ficarei aqui só na tradução didática para não descaracterizá-la, uma vez como já citei que hoje em dia ela é cantada para Ode ou Oşhossi; não que ache errado, mas fica complicado, pois na verdade o verbete original fala de òde, que significa rua, relento, lado de fora e não da divindade Ode.
Estendendo o assunto a respeito das folhas para consagrar Òsányìn, os jêjes usavam ou ainda usam uma erva chamada de “euriosayin”, que nunca tive o privilégio de conhecer. Confesso-me totalmente ignorante ao fato de que venha esta erva substituir todas as outras, salvo as ervas chamadas de enxerto, desfazendo assim todo o mal entendido não só da minha parte, como de vários outros zeladores de minha época sobre esse assunto. E que essa mesma erva, “euriosayin” venha produzir em Òsányìn omókonrin (filho homem). Mesmo assim aqueles que dizem fazer ou cultuar Òsányìn, Ossanha ou Òsãni, têm que não só conhecer como saber fazer o bom uso da mesma.
Dentro das raízes gêge, Òsányìn é também conhecida como Adínà Axédà, Aşeda, Akàsù, Ipákùrò e Asílóba, etc. Sendo assim, como Oshossi e Omolulu são auto afirmados como orixá masculino aqui no Brasil, se é que houve esta transformação, Òsányìn se macho, se afirma como fêmea neste caso, dependendo da genealogia progenitores dos iniciados para este orixá, que poderá ser consagrado e cultuados na condição de dual, hermafrodito, mas nunca como masculino.
Para levantarmos uma discussão sobre o orixá Òsányìn, uma vez que os babalòsányìns asseguram que “ele” é o deus das folhas, e lhe dão alguns vícios e costumes e nada mais, a despeito de todas as outras divindades que possuem a sua prole. Intitulam deus das folhas em detrimento do seu verdadeiro ser.
Para mim o verdadeiro espírito criador da floresta, da vida das plantas, daninhas ou não, das sementes que podem ficar incubadas de forma natural na terra anos a fio antes de germinarem e tornarem-se belas árvores frondosas; transformando todo o ar e proporcionando vida na terra. Há cem milhões de anos atrás, data esta estimada pela Ciência para o surgimento das primeiras plantas terrestres, surge o verdadeiro ser Òsányìn. Assim como todos os orixás endeusados que tiveram os seus antepassados e proles, a divindade Òsányìn não foge a esta regra, mesmo porque a mesma não surgiu do nada e nem a sua existência é ou foi inútil.
Òsányìan, orixá hermafrodito, como as sementes, deus das folhas? Deusa das ervas, da vida e da morte, protetora de todos os rebentos, e que segundo Minale ou Minanmunangue nos dizia: “Òssányìn divide o seu templo com Odanyin, orixá masculino e com Lilosányìn (Lirosányìn), orixá assexuado, uma espécie de omoòsányìn, orixá sem órgão sexual ou sem sexo definido". Mas como dizem que Òsányìn é o deus das folhas; e não que ele é a vida das folhas, não analisem esta divindade pelas folhas, mas sim pela sua origem (origem das folhas). A outra grande confusão está na nomenclatura afro-brasileira e na interpretação da mesma. Confundem babalosányìn, o homem, capitão-do-mato com a divindade Òsányìn, cuja dinastia: Òsányìn senhora absoluta; Odanyìn o sexo oposto e Lirosányìn o produto desta união. Òsányìn seria temida pelos caçadores que a chamavam de caipora ou caapora cuja entidade quando aborrecida fazia eles se perderem em seu seio, e só quando passasse a sua ira é que os deixava encontrarem o caminho de casa.

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