quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

REGÊNCIA DE: ÒGÚN - ỌYA – OSHALA. EM 2010



No calendário africano o Ano Novo começa em 1° de março, segundo a literatura especializada em história da África. O mesmo ocorrendo com as comemorações afro-místicas, começando sempre com Ògún a abertura dos festivais do Ano Novo. Como este calendário místico foi impossibilitado de ser implantado aqui no Brasil, os curandeiros do final do século XIX optaram por fazer modificações dos seus cultos passando então, a promoverem suas datas festivas de acordo com o nosso calendário oficial; colocando assim a regência do ano nas mãos de duas famílias distintas de oríshas: a família de Ògún e a de Shàngó.


No ano de 2009 termina a regência da família de Shàngó e 2010 começa a reger a família de Ògún.

Ògún, divindade masculina de origem Yorubana, onde possui o seu nicho, templo sagrado em Abeokuta. É um dos mais importantes orixás cultuado aqui no Brasil.

Segundo a mitologia africana, Ògún é o filho prodigioso de Olókun e Odùdúwa, o criador da existência.

Aclamado como Deus da Agricultura e do Ferro. Ele é o responsável por todo o desenvolvimento tecnológico nos setores da indústria do ferro e do aço. Considerado um estrategista de primeira linha, parceiro feroz, guerreiro, poderoso. Ao mesmo tempo considerado um excelente companheiro na luta pela vida, garantindo aos seus filhos e protegidos uma vida de muito trabalho e conquista. Guerreiro impulsivo daqueles que jamais foge de uma luta.

Coube a ele a responsabilidade de ensinar aos homens o uso dos metais.

Na Regência de Ògún, os excluídos começam a ser protegidos, como os bêbados, os pobres, os maltrapilhos, os fracos, os abandonados, as crianças, assim como seus filhos e seguidores sinceros.

Nesta Regência Ògún traz dois odùs positivos: Òbéte-Ogundá e Etáogundá.

Òbéte-Ogundá governa a origem da vida através das águas e consequentemente a origem da vida na terra, com especialidade no que diz respeito às guerras e suas implicações. Muito embora estes odùs tenham ligação direta com Yemonjá, eles interferem diretamente nas ações e decisões de Ògún, assim como seus presságios para o Ano de 2010. Ainda teremos muitos transtornos provocados pelas águas, e declarações de conflitos armados, mesmo porque Òbéte-Ogundá ainda traz consigo os odùs Ejilá e Ossá, sendo ambos de origem marítima. Mas, esta trilogia também traz a evolução da Ciência Humana com soluções para o desconhecido e as doenças graves.

Como Deus da Agricultura, ele traz Etáogundá que apresenta a evolução da cultura geral, protegendo a agricultura e proporcionando alimento em abundancia. Os agricultores terão sua proteção e o seu incentivo para que assim a agricultura caminhe a passos largos. A indústria do aço, do manufaturado e dos transportes estará em nível bem mais elevado proporcionando assim mais empregos. Porém, Etáogundá também costuma mudar o curso das coisas, jogando com as pessoas no campo das paixões. Poderá haver grandes retrocessos, pois, muitos que até o dia 31 de dezembro de 2009 se sentiram seguro de si, em 2010 “balançará” com especialidade os filhos de Yemonjá, Òshún, Oya, Shangó e Oshossi. Até porque Ògún traz para governar com ele a Senhora da Tarde, Yansan, isso, porém não aplacará a sua ira, o seu ciúme e o seu desgosto por ter sido abandonado por ela. E neste caso os filhos destes dois oríshas deverão não só os propiciar com oferendas como também rezar para que Etáogundá mude o curso das relações afetivas. Existe ainda a presença do odù Gundameji que virá para comandar as conquistas políticas, as quais serão muitas, ao mesmo tempo irá também provocar uma revolução para fins de reforma no cenário político. Estas mudanças trarão como conseqüência uma ligeira mudança na mentalidade política naqueles que comandam, pois será cobrado a eles satisfação.


Oya trazendo o odù Beofún como positivo no lugar de Obarasheke.

A especialidade de Beofún é afastar os Eguns e curar as doenças principalmente em mulheres grávidas e crianças. Ele contribuirá também na área da pesquisa para cura de doenças. Porém, junto com Beofún vem Dowarin (ou Owarin), Okaran e Obarase que trazem o fogo, a arte, a atração e a comunicação. É importante saber que esses três odùs são inseparáveis assim para propiciar um terá que propiciar os outros dois, sobre pena de ser perseguido pelos três.


Oshala ao invés de Etala-Metala traz Ajé Mirile Ajé oferecendo equilíbrio, vitórias sobre dificuldades, e renascimento. Mas, existem também decepção e doenças por causa de Ofú no caminho de Oshala que traz a Vida e a Morte.

Este é um ano muito perigoso para se mexer com Odù, pois eles estarão sempre em dupla, trio ou mesmo em quarteto e para que se tenha êxito é preciso que se dêem oferendas a todos em questão.






Para o início do ano é aconselhável:

Banho de rosas brancas, de aroeira (se for da branca será melhor), de quitoco, de girassol ou de colônia.

Qualquer um desses banhos tomados da cabeça aos pés e em série de três, proporcionará beneficio para qualquer pessoa.

Oferendas Para os Oríshas Regentes;

Ògún: abará, vatapá, ou lelê de milho vermelho.

Oshala: lelê de milho branco.

Oya: vatapá, abará, acarajé.

O lelê com certeza é a oferenda mais fácil de fazer.

Material:

½ kg de canjica vermelha, ½ l de leite de coco, 200 g de açúcar, cravo, canela em pau, erva-doce, ¼ de litro de leite de vaca, 150 g de milharina ou fubá de milho.

Como fazer:

Cozinhar a canjica bem cozida, e escorrer. Fazer um chá com um pouco de cravo (10) dois pedaços de canela em pau, um pouco de erva doce. Dissolver a milharina em um copo de água acrescente a seguir o leite de coco e o de vaca. Misturar com a canjica vermelha. Quando começar a ferver adicionar a açúcar e ½ copo do chá. Mexer para que fique bem encorpado (mais ou menos uns 20 minutos). Quando estiver no ponto (nem muito mole e nem duro) colocar nos pratos para que esfrie e fique em ponto de corte. Estando frio corte em pedaços e coloque em oberó, ofereça para Ògún acendendo uma vela e fazendo seus pedidos, o restante poderá ser oferecido com quem quiser compartilhar deste momento com você. Esta receita dará quatro ou cinco pratos, o lelê é ótimo para acompanhar com café ou chá.

Para Oshala o processo é o mesmo, só que com a canjica branca e no lugar da milharina o creme de arroz (não vitaminado). Deverá ser oferecido a Oshala em uma vasilha branca.

Para Oya pode oferecer o mesmo lelê que propicia Oshala ou o arroz de Haussa com molho branco e camarão.