quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

PREVISÃO 2011


REGÊNCIA DE: ÒSHUN IJIMUM- OSHOSSI– OSHUMARE

É sempre bom informar que o calendário africano o Ano Novo começa em 1° de março, segundo a literatura especializada em história da África. O mesmo ocorrendo com as comemorações afro-místicas, começando sempre com Ògún a abertura dos festivais do Ano Novo. Como este calendário místico foi impossibilitado de ser implantado aqui no Brasil, os curandeiros do final do século XIX optaram por fazer modificações dos seus cultos passando então, a promoverem suas datas festivas de acordo com o nosso calendário oficial; colocando assim a regência do ano nas mãos de duas pretensas famílias distintas de oríshas: a família de Ògún e a de Shàngó.

Òshun Ijimum é considerada a mais velha ninfa da água doce e governa as profundezas dos rios, lagos, lagoas, foz, etc. A quem afirme que ela é uma mutação de Òshun Karê, e que foi adotada pela cultura Gege com o nome de Aziri-Tobôssi. Ela comanda o Tempo sobre a matéria e por isso está sempre jovem, traz em uma das mãos uma adaga e na outra uma serpente. Ijimum trazendo a modernidade e a juventude trará também a continuidade da evolução da engenharia genética, e da ciência como um todo. A tecnologia estará em alta. Todavia, o mais importante para ela é saúde e a beleza natural.

Òshún Ijimum traz Gunda-Meji senhor sonhador e dono das Ideias Profundas, da Realidade Inteligente, é preciso ressaltar que ele é um conquistador das políticas sociais, portanto esta área continuará avançando. Teremos menos fome no mundo. Mas é preciso dizer também, que ele traz consigo Obará princípio ativo de Eshu o senhor da Inteligência, da Fertilidade, do Progresso e Decadência e da Evolução e Involução. Obará terá a função de buscar aqueles que receberam e não dividiram, e por isso terão que perder tudo e um pouco mais. Observação: não se agrada Obará sem agradar seus quinze irmãos, sob a pena de perder tudo que ele deu. Junto a Obará vem Ossá e Ejilá, os quais irão sustentar as mesmas previsões de 2010, já que ambos são de origem marinha. Junto a Òshun, Ossá e Ejilá vem com a função de modificar a mentalidade dos jovens, prevenir a gestação precoce e minimizar os índices de doenças. As Ciências Humanas continuarão a evoluir cada vez mais. Continuarão os conflitos políticos em países da Ásia e do Oriente Médio, e é bem possível que em conseqüência disso em um deles aconteça um trágico desfecho. Ejilá e Ossá também promoverão a queda de dois grandes lideres mundial, ou por revolta popular ou por confronto.

Ijimun traz Oshossi como mediador, pois ele comandará Oyekú-Meji, que está ligado à vida e à morte dos embriões; ele representa o líquido que envolve o feto no ventre da mãe.

Oshossi também traz Hownse, que traz fartura, progresso, e sucesso em conseqüência de muito trabalho. Mas como Hownse vem com Laansã- Laaxe e Obará é preciso chamar a atenção também para escassez motivado pelo clima. Haverá muito conflito agrário.

Este é um ano que para evoluir não se poderá contar com a sorte e sim com uma inteligência criativa para obtenção de poder. Oshossi traz as oportunidades, mas para isso é preciso saber o que se quer e como se quer, tudo dependerá de como se faz o uso da inteligência e como se luta para chegar aonde almeja. O progresso chega mas, é preciso saber mantê-lo. Um bom planejamento será a base para qualquer tipo de evolução.

Oshumare Senhora do Arco-Íris. Deusa da Transformação e da Evolução é dado a ela a responsabilidade de alimentar harmonizar o mundo. Traz consigo Ossatíniko promovendo a transformação, buscando a razão e alimentando as emoções. Ossatíniko vem com Asheturá que representa a corrida do ouro, da fortuna, porém sem a preocupação com os meios, isso traz a vantagem de conseguir, de se vangloriar, mas por pouco tempo, pois logo tudo que conseguiu logo se perde. Quem acompanha Ashetura é Okaran e este odú é altamente negativo, perigoso, principio ativo de Oya e Eshu que virá para comandar os desastres naturais que acontecerão com mais intensidade, assim como o fogo, o vento e as água irão cobrar caro pela falta de responsabilidade no mundo. Já o Brasil por estar em uma das pontas do quadrante será poupado em grande parte.

Como Okaran é um odu ligado a Nanan e vem fechar o ano junto a Oshumare ele será negativo para s filhos de Omulu, Obaluaye, Shàngó e para os próprios filhos de Oshumare, os quais estando com sérios problemas deverão alimentar Okaran e Ossatiniko. O amor para estes é inexistente, pois neste ano eles farão tudo como jogo de interesse na luta pelo poder, até a traição será válida na cabeça deles.

Já os filhos de Ògún, Yemonja, Oya, Oba, Eshu serão beneficiados em quase tudo, salvo se estiverem em dívidas com seus oríshas. É aconselhável que os filhos destes oríshas duas ou três vezes neste ano, passem dinheiro pelo corpo e ofereçam este para alguém na rua. Obs. Dinheiro é cruz, transforme algum do seu em beneficio de alguém.

Os filhos de Òshun estarão bem cotados nos meios sociais e estarão bem protegidos e vigiados a cada segundo por Ossá e Ejilá que neste caso representam o Tudo ou Nada. É preciso decidir entre a fantasia e a realidade, se auto encontrar. O amor paira no ar, porém encontrá-lo será outra coisa.

Os filhos de Oshossi terão o privilégio de terem sempre uma saída para tudo, estarão protegidos contra a morte, mas não contra as doenças. Já o mesmo não acontecerá com os filhos de Ode, pois Obará irá lhes cobrar tudo que este ganhou e não dividiu.

Amor e indiferença predominarão em todos os aspectos da vida dos filhos de qualquer orísha, pois nestes momentos para s Odus que respondem por estes sentimentos o que mais importa é a sobrevivência, salvo os filhos de Nanan e Oshala que estarão acomodados com relação a afetividade.

Para agradar Ijimum nada melhor que frutos de água doce, feitos à base de óleo e azeite e simbolizá-la com uma, duas ou três bonecas lindas como ela, ou então com uma adaga e uma serpente decorativa. Estas oferendas deverão ser entregues na cabeceira do rio, de um lago ou lagoa, sobre uma linda toalha. Boa sorte.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A RAÍZ DOS REIS YORUBANOS: AJAKA, ŞÀNGÓ E AGANJU

Şàngó, Ajaka são bisnetos da maior divindade Yorubana, Oduduwa o autor da existência ou a fonte geradora da vida. Oduduwa era filho de Olodù maré, ou seja, o pai ou Deus do Odu, isto é: o Todo-Poderoso, já que a etimologia da palavra odù significa tudo que é extraordinariamente grande. Oduduwa foi enviado por Olodumare do céu para criar a terra. Olokun, a deusa do oceano era esposa de Oduduwa, Oranmiyan e Isedale seus filhos e Ògun seu neto.
Oduduwa morreu ou desapareceu como preferem dizer os da nação Yoruba em paz e foi divinizado, sendo adorado até estes dias pelo Ifẹs. A terra de Ile Ifẹ, que fica no estado de Ọyọ na Nigéria é consagrada a ele. Ele era o avô e bisavô de reis renomados e príncipes que regeram e fizeram história no país de Yoruba, e teria vivido por volta do ano 2.180 a.C.
Já o pai de Şàngó e Ajaka se chamava Orañyan que vinha a ser neto de Oduduwa e sucedeu seu avô no trono. Orañyan era um grande guerreiro de uma coragem indomável. Ele foi responsável pela expansão tanto do reino como da cultura Yoruba. Fundou Ọyọ onde viveu por alguns anos dizem que foi viver em uma cidade também fundada por ele chamada Òkó, deixando Ọyọ a cargo de um dos príncipes. Ele residiu por muitos anos em Òkó e de acordo com alguns teria morrido lá, já outros afirmam que ele teria morrido em Ilẹ Ifẹ onde existe até hoje um obelisco chamado Opa Orañyan (o bastão de Orañyan) que teria sido erguido sobre a sua sepultura. A dúvida de ter morrido em Òkó ou Ile Ifẹ se deve ao fato dos Yorubas terem o costume de sempre que um morre longe de casa de cortar os cabelos e aparar as unhas do falecido para serem enterrados solenemente em seu lugar de origem, logo, isso poderia ter acontecido.
Havia também uma outra versão contada, foi dito que depois de um período longo de reinado uma necessidade urgente lhe fez visitar de novo a cidade de Ile Ife de onde ele havia partido por tão longo um tempo; talvez organizar alguns negócios familiares, ou tomar posse de alguns dos tesouros de seu pai que quando partiu deixou a cargo de Adimu, um dos criados fiéis de seu pai. Ele deixou seu filho Ajaka como Regente e partiu. Tendo ficado mais tempo do que o tempo fixado para o retorno dele (comunicação entre os dois lugares então era perigoso e difícil) as pessoas acreditavam que ele estava morto ou que de qualquer modo ele não iria mais retornar a Òkò; o ỌYỌ MESI que era as leis aprovadas da cidade, conseqüentemente confirmou Ajaka no trono, o investindo com carta branca, e toda a insígnia de realeza. Mas Orañyan retornou; e quando estava a uma distância curta da cidade, a atenção dele se voltou para som do Kakaki um trompete soprado só para o soberano. Ao investigar, ele compreendeu o que tinha acontecido. Logo então, ele recuou os passos calmamente e voltou para Ile Ifẹ onde dizem que passou o resto de seus dias em uma pacífica aposentadoria.
Orañyan era o pai de todo os Ọyọs ou dos próprios Yorubas e era o conquistador universal da terra. Ele deixou para trás dois filhos renomados, Ajaka e Şàngó, ambos o sucederam na direção, e ficaram famosos na história dos Yorubas, e foram divinizados depois de mortos.

AJAKA, ŞÀNGÓ E AGANJU: TRÊS REIS, TRÊS ORÍŞAS.

Os Yorubás exaltam como oríşas, reis ou alguma pessoa que por algum motivo se destacaram na terra, como um herói, por exemplo, tornando-se assim objeto de veneração. Os Yorubás acreditam em vida após morte, consequentemente fazem adorações aos mortos. Afirmam que após certo período, pais falecidos retornam para família sobrevivendo como crianças, ou seja, acreditam na reencarnação. Um pai ou um fundador de uma família também pode se transformar em um oríşa para seus filhos e descendentes se transformando em uma divindade para ser cultuada pelos mesmos. Portanto o número de oríşas existente por toda terra dos Yorubás é bastante grande, dizem serem mais ou menos uns quatrocentos; sendo que alguns se destacam nacionalmente e em outros países.
Ser Oríşa a bem da verdade significa ter sido escolhido entre os antepassados para ser venerado. Logo, torna-se quase impossível que algum Yorubá não cultue um Oríşa, e que todos por algum motivo sejam associados a alguma força da Natureza.
Acreditam também em julgamento futuro como é indicado através de um provérbio: “Ohungbogbo ti a şe l’aye, li a o de idena Orun ka” (O que quer que façamos na terra seremos cobrados nos portais do céu).

PRIMEIRO REINADO DE OBA AJAKA

Entre todos os reis de Yoruba só Ajuan, pseudônimo Oba Ajaka subiu ao trono por duas vezes.
Muito pouco é conhecido de seu primeiro reinado, a não ser que possuía uma personalidade bem diferente de seu pai. Era uma pessoa pacífica e seu maior interesse era a agricultura que incentivava e amava.
Por ser muito moderado e pacífico para o espírito aguerrido da época sofreu invasões de reis provincianos. Nesta mesma época encontrava-se em grande ascensão Olowu seu primo, que logo após a morte de seu tio Orañyan passou a ter mais poder do que o próprio rei de Ọyọ, obrigando o pacífico Ajaka a pagar-lhe tributo, alguns afirmam que teria sido seu irmão Şàngó que o teria forçado a pagar-lhe tributo, se foi Olowu ou Şàngó não se sabe ao certo, mas o pagamento de tributos é que teria sido o motivo para ele ter sido destronado, partindo para Igbodo onde permaneceu exilado por sete anos durante o período em que o seu irmão Şàngó reinou em seu lugar.

OBA ŞÀNGÓ

Oba Şàngó pseudônimo de Olufiran foi o quarto Rei ou Alâfin de Ọyọ. Filho de Orañyan e irmão de Ajaka. Ele tinha temperamento muito violento, inflamado, além disso hábil em truques de mágica e muito, muito sedutor . Ele tinha o hábito de emitir fogo e soltar fumaça pela sua boca e com isso ele aumentou grandemente o medo entre os seus subordinados.
Quando Şàngó sucedeu ao trono, sendo um homem muito jovem, o Olowu pretendeu tirar proveito da sua mocidade; e da mesma forma que fez com Ajaka também exigiu que ele lhe pagasse tributo, mas Şàngó se recusou reconhecer a sua primazia apesar da ameaça do Olowu de privá-lo da companhia de suas esposas e de seus filhos; por conseguinte sua capital foi cercada e uma briga acirrada resultou. Şàngó além de exibir a sua habituada coragem, também demonstrou o seu domínio de magia; grande volumes de fumaça que emitia pela boca e narinas, acabou por apavorar o Olowu e o seu exército, que foram completamente derrotados e rapidamente fugiram..
Depois desta vitória se seguiram outras, e a cada nova êxito ele ficava mais firmemente estabelecido no trono; assim ele foi exaltado, respeitado e tirânico.
A ambição dele agora era remover a sede do governo de Òkó para Ọyọ então chamada
Ọyọkóró, ele sabia que iria encontrar uma forte oposição do príncipe daquela cidade e por isso ele se propôs a arquitetar planos pelos quais poderia efetuar seu propósito com o mínimo de luta possível.
Şàngó era agora possuído de um desejo de executar um ato de devoção filial. Ele queria adorar a sepultura de sua mãe morta, mas ele fez de tudo para se lembrar o nome dela e não conseguiu porque ela morreu quando ele era apenas um bebê. Şàngó sabia que ela era a filha de Elempe um rei Nupe que formou uma aliança com Orañyan lhe dando a filha dele para desposar, de tal matrimônio Şàngó tinha conhecimento.
Shàngó encomendou a um escravo de Tàpá e um Hausa então para irem ao país dos Nupe, para estarem com seu avô materno Elempe com o propósito de lhes dá um cavalo e uma vaca para o sacrifício no túmulo de sua mãe.
Estes mensageiros do Rei ficaram encarregados de escutarem cuidadosamente o nome proferido na prece que evidentemente seria o nome de sua mãe.
Aos mensageiros foram dadas boas-vindas cordialmente, e foram bastante entretidos por Elempe, o avô de seu Rei, de forma que o Hausa esqueceu de seu dever do qual ele foi acusado. Na hora do sacrifício, o sacerdote havia dito "Torôsi, Iya gbodo, nos escuta, seu filho Şàngó veio adorá-la." O Tàpá notou o nome Torôsi, mas o Hausa, estando longe não se preocupou em prestar atenção ao nome proferido; então, ao retornar o escravo tàpá era altamente recompensado, o Hausa era castigado severamente sem descanso. O castigo dado a ele era de 122 cortes de navalha, cortaram o corpo dele por toda parte como uma advertência duradoura e eterna.
As cicatrizes formadas estranhamente por estas feridas levaram fantasia às esposas do Rei que achavam que elas acrescentaram atração e beleza ao homem, e então elas aconselharam tais marcas não deveriam ser executado em um escravo, mas sim em membros da família real como distintivo de realeza.
Şàngó seguiu o conselho, e se colocou primeiro nas mãos do “Olowolas" (os marcadores) nomeou Babajẹgbe Ọsan e Babajẹgbe Oru; mas ele só resistiu à dois cortes em cada braço, e lhes proibiram de proceder qualquer adicional. Isto é o que é contado em Èyò. Os cortes ficaram apenas na família real, como um distintivo da realeza, e conseqüentemente os membros da família real são denominados Akèyò. São duas marcas grandes de fitas nos braços do ombro ao pulso.
Quando o Rei resolveu tomar Ọyọkòrò, o ocorreu empregar isto como um dispositivo pelo qual ele poderia efetuar o propósito dele facilmente sem perda de vidas. Ele então enviou o escravo Hausa a Ọyọkòró para verem como bonito este escravo ficara com estas marcas, e que então por causa disso as mesmas agora eram marca de realeza; ele aconselhou então que Ọlọyọ-koro e seus ministros se submetessem e serem assim marcados, como grau e beleza, declarando que ele mesmo tinha feito assim. Eles então concordaram, e foram enviados para lá Babajẹgbe Ọsan e Babajẹgbe Oru, e admiravelmente executaram suas tarefas.
Mas no terceiro dia, quando Ọlọyọ-koro e seus chefes estavam ainda muito doloridos, Shàngó apareceu com toda a sua força contra eles; nenhuma resistência foi oferecida, e a cidade caiu nas mãos dele facilmente: vergonhosamente e brutalmente matou o príncipe e seus chefes, as cobaias de seu estratagema.
Assim a sede do governo foi removida definitivamente de Òkò (ou como querem alguns, de Ile Ifẹ) para antiga Ọyọ o "Eyeo ou Katunga”.
Şàngó reinou durante sete anos, e todo período foi marcado pela sua inquietude e espírito guerreiro. Ele lutou muitas batalhas e exibiu suas magias.
Segundo as histórias contadas pelos akipatitas (verdadeiras enciclopédias vivas), a bravura de Şàngó não estava na luta física, mas sim na estratégia de luta. Para ele era como se tudo não passasse de um jogo matemático entre: custos x lutas x beneficio, aonde no produto desse jogo chega o guerreiro pacificador, que entra em batalha contra os fatores já esgotados. Vitorioso, pacifica-os para que eles continuem reinando em seus territórios, porém sobre o seu total domínio.
Não bastasse tudo isso Şàngó tem uma biografia muito extensa que vai da paixão pela automagia, alquimia até as mulheres, divas deusas como: Òşun, Oba e Ọya que ao seu lado estão sempre dispostas a entrarem em batalha a qualquer momento para defendê-lo. Entre elas se destaca Ọya nome da fiel e amada esposa que teria sido a única que o acompanhou para cidade de seu avô paterno. Ela era discreta e feroz, uma amazona, e se tornou indispensável ao seu marido em todos os sentidos. Dizem que nada ele fazia sem ela.
Alguns cânticos cantados nos candomblés aqui no Brasil fazem referência a esta união:
Lówólówo gùdò pá/ E Osé boya mi/ Ọya okàn de osé be/ Ose bóya mi/ (Ultimamente evita brigas calmamente. O deus do Trovão talvez esteja diferente. Oya seduziu o coração do deus do Trovão, e tomou a frente, talvez de um novo deus do Trovão).
Wúyewúye Ọya bẽkó/ Oba ni ta èse wúyewúye/ Ọya bẽkó oba ni ta èse ké niwà àyaba/Oba ni ta òse, oba karí Èkó. (Secretament Ọya disse ao Rei não ser errado impor um tributo, sigilosamente. Oya disse não ser ruim persistir favorecendo o bem disposto Rei. O Rei então concordou com o tributo. O Rei chegou em Èkó (cidade de Lagos)).
Oya madá be lê se bè lê imã (Oya tem como hábito estar sempre a frente de tudo, é poderosa pede sempre mais do que precisa).
O Odu Okànràn Meji,colhido por Wande Abimbola faz referência à união desses dois oríshas, por ser muito longo apresentarei apenas alguns versos.
A díia fún Şàngó,/Igbà ti nlọ rèé gbóya níyàwó/Wón ní ó kaáki mólè/ O járe,/Ẹbọ ni ó şe;/ Eşu àìşebo,/Ẹgbà àiterù/Şàngó kò,/Şàngó ò rú;/Ò p’awo lékèé,/Ó p’eşù lóle;/Ó wórun yàn yàn/Bi ẹni ti ò níí kú mó láyé;/Ó wáá kọtí ògbóin sébọ./Aya rórò jọkọ lọ o./Aya rorò jọkọ lọ./Ẹyin ò mò p’óya ló rorò ju Şàngó./ Aya rorò jọkọ lọ./Ọya ló rorò ju Şàngó/ Aya rorò jọkọ lọ./Ta ni o mọ pé Ọya ló rorò ju şhàngó./ Aya rorò jọkọ lọ./
(Foi feito um jogo adivinhatório para Şàngó/quando ele ia tomar Oya por esposa/ disseram-lhe quefosse logo/para não se arrepender depois./Disseram-lhe que fizesse ebó/pois deixar de fazer ebó coloca Eşu contra a pessoa/Şàngó recusou/Ele não fez ebó/Chamou o awo de mentiroso/e chamou Eşu de ladrão./Virou a cabeça com altivez/como se fosse um imortal./Fez ouvidos moucos à recomendação de fazer ebó/A esposa é mais feroz que o marido!/A esposa é mais feroz que o marido!/Vocês não sabem que Ọya é mais brava que Şàngó./A esposa é mais brava que o marido./Ọya é mais brava que Şàngó./ A esposa é mais brava que o marido./Quem não sabe que Ọya é mais brava que Şàngó?/ A esposa é mais brava que o marido.)
Era dito que Şàngó tinha o conhecimento de alguma preparação pela qual ele poderia atrair raio. O palácio a Ọyọ foi construído ao pé de uma colina chamado Òkè Ajaka (a colina de Ajaka). Um dia o Rei subiu esta colina acompanhada pelos seus cortesãos e alguns de seus escravos, entre os quais estavam dois favoritos, Biri e Omìran; alguns de seus primos também o acompanharam. Ele estava disposto a tentar a preparação ele tinha nas mãos; pensando que estava úmido e inútil, ele fez primeira experiência em sua própria casa. Mas entrou em vigor, uma tempestade imediatamente e o os relâmpagos atingiram o seu palácio e algumas outras construções antes deles desceram a colina, e tudo ficou em chamas. Algumas das esposas de Şàngó, dizem que ele possuía dezesseis, e todos seus filhos morreram nesta catástrofe.
Şàngó foi autor de seus próprios infortúnios! Ficou abalado e consternado com que tinha acontecido, com o coração partido. Ele então decidiu abdicar do trono, e retirar-se para a corte de seu avô materno, Elempe rei dos Nupes.
Todos os ọyọs estavam agitados, não só por simpatizarem com o Rei, mas também para dissuadi-lo de sua resolução, porém Şàngó não admitia qualquer tipo de oposição, e se encontrava tão enlouquecido, que usou sua espada contra alguns de seus leais súditos, cento e sessenta pessoas, que se aventuraram a lamentar sua decisão, e que prometiam a ele substituir suas esposas mortas por outras, e com elas gerar novos filhos, e assim com o tempo reparar suas perdas presentes.
De acordo com outros relatos, ele não se abdicou por livre vontade dele, mas foi solicitado a fazê-lo por um forte partido de oposição do estado. Ambas os relatos podem ser verdadeiros, pode ter havido as duas versões para este fato. Yorubas têm aversão por Rei dado a fazer feitiços mortais; porque para quem já tem poder absoluto investido a ele através de lei, este poder estranho e vingativo pode ser usado contra qualquer um, ninguém se sente seguro com um rei assim.
O fato é que ele partiu para sua viagem fatal com alguns seguidores. Biri seu escravo favorito foi o primeiro a lamentar a medida tomada, e a incitar seu senhor a ceder às súplicas dos cidadãos de Ọyọ que com toda a lealdade prometeram substituir as suas perdas, até onde o homem poderia fazê-lo, e reconstruir o palácio; mas achando o Rei inexorável, ele o abandonou e voltou à cidade com todos seus seguidores; Omìran seguiu igual exemplo e o Rei então, foi deixado sozinho. Ele agora se arrependia de sua precipitação, especialmente quando ele se achou abandonado pelo seu favorito, Biri.
Ele não poderia prosseguir sozinho, e por vergonha não poderia voltar para casa, e ele então resolveu acabar com a própria vida, e subiu em uma árvore de manteiga de karité (chamada de akumolapa na Nigéria ou Igi Èye pelos yorubas), e lá se enforcou.
Seus amigos quando ouviram falar desta tragédia foram para lá imediatamente executaram para ele o último ato de bondade, enterrando seus restos mortais sob a mesma árvore.
Ao ouvir falar da morte do Rei, seus amigos pessoais seguiram o seu exemplo, e morreram com ele. Biri se suicidou em koso (onde o rei morreu), Omiran fez o mesmo. Seu primo Omo Sàndá se suicidou em Papo, Babayanmi em Sẹlẹ, Obei em Jakuta e Ọya a sua esposa favorita em Irá. “Ọya wọlè ni ile Irá; Şàngó wọlè ni Koso” um provérbio que diz: Ọya desapareceu na cidade de Irá; Şàngó na cidade de Koso. Os heróis e heroínas nunca são citados como mortos, e sim como desaparecidos.
Assim terminou a vida deste personagem notável que outrora dominou todo o Yorubas e Popos. Mais tarde ele foi divinizado, e ainda adorado por toda raça Yorubá como o deus de trovão e do relâmpago. A este grande guerreiro são dedicadas todas as conquistas Yorubanas. Viveu aproximadamente em 1450 a.C. Foi deificado após seu “desaparecimento”, porém devido a sua bravura e sentimentalismo passou a ser: ORÍŞA TI AKIN (DIVINDADE DA JUSTIÇA).
Em cada cidade Yoruba e Popo até hoje, sempre que houver um relâmpago seguido por um estrondo de trovão, é comum ouvir da população mensagens de "ka wo o" ka biye si "(Bem-vindo à sua majestade, viva o rei). Sem dúvida foi o mais poderoso e o mais forte de todos os Alafins.
Ajaka seu irmão foi chamado do exílio, e ele segurou as rédeas de governo mais uma vez.

SEGUNDO REINADO DE OBA AJAKA

Um novo homem! Assim pareceu Oba Ajaka em seu segundo reinado, em nada lembrava aquele homem tranquilo, amante da agricultura, que por falta de atitude não conseguiu conservar seu trono. Este novo Ajaka era valente, amante das armas, parecendo ser até mais guerreiro que seu irmão Şàngó.
Agora eram atribuídas a ele várias façanhas contadas pelo seu povo. Entre elas a expedição que ele liderou ao país de Tapa, onde ele empregou grandes pássaros muito bem treinados munidos com setas mortíferas, que depois de cruzarem o rio Niger despencaram estas armas fatais sobre os aliados maternos de seu irmão Şàngó com grande êxito.
Ele passou seus últimos anos empreendendo guerras civis com seus súditos. Era dito que ele tinha estado comprometido em guerras civis com 1060 de seus chefes e príncipes entre os quais o vassalo principal ou reis provincianos: Onikoyi, Olugbon, e Arẹsa.
Ele teve a seu serviço alguns "curandeiros" que fizeram encantos para ele, a saber, Atagbọin, Ọmọ-onikòkò, Abitibiti Onişegun, Paku, Tẹtẹoniru, Yãnà, Ọkọ-adán Ẹgbẹji, Alari baba işegun, e Elenre.
Conta-se também que depois de o ajudarem a vencer várias guerras, alguns desses "curandeiros" foram até Oba Ajaka, e humildemente, suplicaram para que ele permitisse a volta deles para casa, mas o rei recusou-se a conceder-lhes licença, temendo que seus serviços fossem requeridos por alguns outros reis, e dessa forma, outros usufruíssem dos encantos que fizeram para ele. Como eles estavam determinados a irem para casa, eles mostraram ao Rei através de provas demonstrativas, que eles fizeram o pedido simplesmente por cortesia, mas que o rei não os poderia deter. Paku abaixou-se diante dele, e desapareceu. Tete oniru, Abitibiti Onisegun, e Alari baba Isegun executou o mesmo feito e desapareceu. Egbeji jogou para cima uma bola de linha que pairou no espaço, e ele subiu por essa linha e desapareceu. Somente Elenre permaneceu de pé diante dele. Então o rei teria dito a ele: "Elenre, você deve seguir os exemplos de seus colegas e desaparecer, ou eu desafogarei minha vingança em você pela desobediência deles”. "Mate-me se puder" respondeu Elenre. O Rei então ordenou que ele fosse decapitado; mas na tentativa espada se quebrou em duas. Ele ordenou então que ele fosse lanceado, mas a lança se dobrou e o braço do lanceiro murchou! Ele ordenou rolar uma pedra grande em cima dele para esmagá-lo até a morte, mas nele tal pedra caiu leve como uma bola de algodão.
Todas as tentativas de acabar com Elenre se mostraram inúteis, o rei e seus executores não sabiam mais o que poderiam fazer, até que ocorreu a um deles de procurar por Ijaehin a esposa de Elenre, que ao ser prevalecida lhe contou que nenhum ferro ou aço poderia afetá-lo, e completou: “Puxe uma única lâmina de grama do sapé da casa, e com isso você pode decapitá-lo”. E assim foi feito, e em um único gesto a cabeça foi degolada, mais um imprevisto aconteceu, ao invés da cabeça cair no chão, caiu na mão do Oba Ajaka, e ele com o susto a agarrou involuntariamente. E rei fez de tudo para se livrar da cabeça, mas não conseguiu, e o pior o rei estava se definhando, pois não conseguia comer e nem beber, qualquer alimento que trouxessem para ele a cabeça devorava, da mesma qualquer bebida a cabeça sugava. E o rei estava morrendo de fome e sede
Todos os "curandeiros" de toda tribo do reino foram chamados, para desencantar este fenômeno alarmante. Só que assim que qualquer um entrasse, a cabeça o chamava através de nome, contava a composição dos seus encantos, e então perguntava a ele: "Você pensa que isso pode me afetar?" Assim muitos ficaram perplexos, até que finalmente chegou Asawo; este homem prostrou imediatamente a uma distância e pediu a cabeça para privar-lhe de qualquer coisa, dizendo: _ "Quem sou eu para opor-lhe? Em o que eu sou melhor que meus antecessores a quem você já anulou? Eu só entrei por obediência aos comandos do Rei como não me atrevo a recusar, vim." A cabeça respondeu "Eu o respeitarei porque você é sábio e me respeita; Eu me rendo a suas solicitações." Então, caindo de repente das mãos do Rei, a cabeça de Elenre se tornou um rio corrente conhecido em Ọyọ atualmente como Odo Elenre (o rio de Elenre).
Sua esposa Ijaehin que descobriu o segredo da força dele também foi convertida em um córrego, mas a cabeça de Elenre disse "Tu não roubará nenhum fluxo”, então Ijaehin se tornou uma piscina empoçada em Ọyọ.
Deste incidente o rei Ajaka fez disso uma regra: que de daqui em diante nenhum rei deve estar pessoalmente presente a uma execução.
Ele decretou a morte de todos os 1060 reis vassalos levados à guerra; seus crânios foram reunidos como relíquias e são adoradas sob o nome de Orişa'la a partir de então. Esta é a origem provável desta adoração.
Nada é conhecido do fim de Ajaka, provavelmente ele morreu ou desapareceu em paz.
Ajuan pseudônimo: Oba Ajaka o terceiro e quinto Alafin de Oyo, na Nigéria. Bisneto de Oduduwa, filho de Orañyan e irmão de Şàngó. Viveu em 1450 a.C. No Brasil apesar dele ser irmão de Şàngó é cultuado como uma qualidade de Şàngó que reverencia a paciência e a persistência em alcançar seu objetivo, provavelmente uma alusão ao seu primeiro reinado quando foi destituído de seu reino, e da sua volta triunfante em seu segundo reinado.

OBA AGANJU

Oba Aganju o sexto Alâfin ou Rei de Ọyọ. Como Şàngó não deixou descendentes diretos, já que seus filhos foram todos mortos graças a experiência fatídica que ele próprio promoveu. Aganju o filho de Ajaka subiu ao trono sem qualquer tipo de disputa.
O reinado dele se mostrou longo e muito próspero. Ele tinha uma habilidade toda especial para domesticar animais selvagens e répteis venenosos, alguns dos quais podiam ser vistos rastejando sobre seu corpo. Ele também possuía em sua casa um leopardo dócil.
Possuía um bom gosto apurado. Embelezou seu palácio acrescentando praças na parte da frente e de trás, com filas de postes de bronze. E ele que deu inicio ao costume de decorar o palácio com tapeçarias.
Perto do fim de seu reinado travou guerra com um homônimo seu, Aganju o Onisambo, por recusar-lhe a mão de sua filha Iyayun. Nesta guerra, quatro chefes foram capturados e suas cidades destruídas, a saber: Onisambo e seus aliados Onitede, Onimeri e Alagbòna. E assim garantiu a noiva à força.
Mas seu reinado foi ofuscado por um grande problema familiar que se transformou em tragédia. Lubẹgò seu único filho foi descoberto tendo relações ilícitas com a sua amada Iyayun, por conta disso muitos príncipes e pessoas comuns perderam suas vidas. Aganju totalmente enfurecido sentenciou sobre seu único filho penalidade extrema da lei, que foi rigorosamente realizada. Com a morte de seu filho o rei foi tomado de grande tristeza, ele morreu não muito tempo depois, mesmo antes do nascimento de um sucessor para o trono.
Mas Iyayun carregava em seu ventre o filho de Lubegò, a única esperança de um sucessor direto. Em conseqüência disso frequentemente eram oferecidos sacrifícios no túmulo de Aganju com a intenção que ele deixasse Iyayun conceber este filho que seria a única forma de seu nome jamais ser esquecido, e de sua dinastia não terminar. E Aganju então, permitiu que Iyayun desse à luz a este filho, toda a população ficou feliz. Esta criança foi chamada de Kori, e até ele ter idade suficiente para subir ao trono, Iyayun foi declarada regente. Ela usou a coroa, vestiu os roupões reais além de ser investida com o Ejigba e o Opa ileke e outras insígnias reais, e governou o reino como um homem até que seu filho completasse a idade para ser o novo rei.
No Brasil é cultuado como sendo uma qualidade de Şàngó, mas na verdade é seu sobrinho.
E assim mais um Rei se transforma em Oríşa; inspirando as multiformes de Deuses da Justiça.
Alguns casos aqui relatados foi contado por meu pai Dorode Oba Dode, além de ter feito pesquisas nos livros: The History of Yorubas de Samuel Johnson, Dicionário Antológico da Cultura Afro-Brasileira de Eduardo Fonseca Júnior.